terça-feira, 31 de março de 2009

Os nossos interpretes!!

Aula de 31 de Março - Os nossos interpretes numa improvisação de 2horas.

Dia 30 Março - Uma aula diferente!

Hoje tivemos uma aula diferente. Em vez de uma tarde passada na fria sala 107 da Escola Sup.Teatro e Cinema, fomos até ao Rossio fazer uma visita à Sala Estúdio do Teatro Nacional D.Maria II onde vamos estar em cena, e depois aproveitámos o embalo e dirigimo-nos felizes e contentes até ao Noobai no Chiado, falar de "camachices" e aproveitar o sol primaveril que se fazia sentir!
Boas vidas só para quem pode!:P


Aula 27 Março - Os Super Heróis!

Nesta aula fez-se um exercício sugerido pela Joana Barros, em que cada interprete tinha de escolher um super herói, ou um desenho animado, ou um boneco qualquer e numa conferência de imprensa falar sobre a sua vida.
Alguns Super-Heróis


Aqui fica uma parte da conferência, o filme tem alguns cortes devido a problemas técnicos,
pedimos desculpa pelo incomodo, de qualquer maneira dá para terem uma ideia muitoooo geral daquela que foi uma tarde de rir até ás lágrimas.




P.S: A Ana Mendes(rapariga mais à esquerda) é o Calimero!!

Aula de 26 de Março

Mais improvisações. Esta gente não tem descanso, e eu que monto as macacadas que eles fazem, idem, idem, aspas, aspas!!


Improvisações Aula 24 Março.

Eu prometi vídeos e aqui está mais um,
um best of da aula de terça-feira passada.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Raquel André e Ana Mendes!

Este vídeo tem 9 minutos mas vale mesmo a pena perder esse tempo a vê-lo, quanto mais não seja pela banda sonora. Exercício de improvisação da Raquel e da Ana com a premissa de criarem barreiras uma a outra e ajudarem-se a ultrapassá-las.

Outro vídeo

Os clichês de Dinis Machado!

O primeiro de vários vídeos que tenho para vos mostrar!

O André Patrício quando não está a dormir até faz umas coisas
...

sábado, 28 de março de 2009

Acontece-me sempreque bebo leite quente.


Acontece-me sempre que bebo leite quente… Estava a ler Na Solidão dos Campos de Algodão. Estava a tentar perceber porque é que solitários, ilícitos e animais se encontram às horas não homologadas da noite. Porque é que é na noite, perto do lusco-fusco, que se permitem existir. A relação das palavras estava a intrigar-me. Estava a ficar desconfortável. Não é ilícito não querermos ser sozinhos, mesmo se nos propomos a ser singulares quando saímos de um ponto em direcção a outro, em linha recta, sem qualquer obstáculo, a seguir directamente. Precisei de parar para pensar. Num dealer e num cliente. Levantei-me e fui à cozinha, aqueci um copo de leite. Eram umas 17h. Sentei-me e continuei a olhar para aquela relação. Estava demasiado cansada para solucionar o que estava a ler. Acontece-me sempre que bebo leite quente. Adormeci. Acontece-me que sempre que bebo leite quente. Adormeço, e inevitavelmente sonho. Sempre que bebo leite aquecido.


Estava algures, a horas ilícitas, num castelo, julgo que seria o de Óbidos. Não sei, o cenário tinha muralhas, havia um palco, tocava-se música. Era um dia qualquer festivo e nós estávamos a prepararmo-nos para um espectáculo. Não sei o que era, mas pelo ambiente e preparação, ia ser uma coreografia bem ensaiada. Lembro-me que a Raquel estava nervosa. E estavam todos vestidos de cor-de-laranja. Estavam numa sala muito pequena. Eu a determinado momento vi-me sozinha com o Francisco. Estava muito mais conversador do que o habitual. Estava a falar mais do que o normal e ria-se muito. Não me lembro do que falávamos, mas lembro-me de ouvir muito a voz do Francisco. Acontece-me sempre que bebo leite quente.



Entretanto comecei a ficar muito aflita: o Camacho pedia-me insistentemente que lhe desse o número da Ana Borges (não faço a mínima ideia quem seja, mas a aflição era tanta que acordei ainda a pensar na dita “Ana Borges”) porque queria muito falar com ela, tinha um trabalho para lhe propor. No resto do sonho, às horas estranhas, tentava convencer o Francisco de que teria o número dela e que lho daria, mas não naquele momento, àquelas horas, ele sem acreditar. Tinha de ter o número dela antes que o espectáculo terminasse, um dealer tem sempre o produto desejado. Um dealer nunca diz que não: “sim espera um pouco, espera muito, espera aqui comigo uma eternidade, sim eu tenho, eu hei-de ter, eu tinha e hei-de voltar a ter, nunca tive mas hei-de ter para ti”. Se não tem já teve, eu tinha de lhe dar o que me pedia, mas na minha “mercadoria de números de telefone”, aquele não constava.



Acontece-me sempre que bebo leite quente. Sonho inevitavelmente. Raramente me lembro do que sonhei. Mas este ficou e veio para aqui. O que me acontece. Sempre que bebo leite quente.

Eram 18h39. Quando acordei. Depois do leite aquecido.

be our liberator of modern art

http://www.transordinator.de/edition/index.html

divirtam-se*

sexta-feira, 27 de março de 2009

A malta de design também trabalha!!

Maquete da Sala Estúdio do Teatro Nacional D.Maria II


26 de Março!!

A demora nos posts desta aula deveu-se ao facto de eu querer imensoooo editar os filmes da aula e fazer umas montagens, mas ter tido um problema informático que me impossibilitou de fazer o que quer que fosse. Ficam para já com umas fotografias, mas prometo que em breve os vídeos estarão aqui.
Olha a indicaçãozinha!

Dinis, Raquel, Cadete e André.

Dinis e seus clichês!!

Design de cena a fazer a bela da maquete!

Leva-me contigo!

+ do mesmo!

Raquel e Ana


Cristian

Cristian e Cadete

Zabalaga.

+ da Aula de 26 março!

Zabalaga
André e Raquel

Cristian

Moche!!!

André P.

Mensagem do Dia Mundial do Teatro

por Augusto Boal

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!


Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Now Some Poetry











quarta-feira, 25 de março de 2009



o coração deles bate ali, o coração deles não pára de bater ali, o coração deles fora daquela imagem continua a bater no mesmo sítio.
o meu coração bate na garganta, a mão direita treme mais que a mão esquerda, não tenho olfacto, as pernas também tremem, tenho pingos de suor nas pontas dos dedos das mãos, o coração bate na garganta.
o coração bate
bate

terça-feira, 24 de março de 2009

A dinâmica das palavras


Ausência. É sempre ter falta de alguma coisa ou de alguém e hoje sinto a minha falta. Tenho saudades minhas. É um vazio que tem tomado conta de mim, como se estivesse há já muito tempo adormecida, de um sono do qual tenho dificuldade em acordar. Estou num viver narcoléptico, que me causa uma dor profunda de não conseguir viver melhor. Adormeço nas melhores partes dos dias. Há dias menos bons, hoje será, tem sido, já foi um deles. Sinto uma impotência crescente, nascente da cegueira que não consigo curar. De uma relação que quero manter, de algo que quero mostrar, de um fracasso que já tive, que não quero voltar a ter, e que vejo que os outros não atingem.

Ter fracassado é ter sido impotente. É ser dominado por uma impossibilidade, não conseguir ultrapassar as nossas próprias dificuldades. Sinto-me impotente quando o desenrolar das circunstâncias já não dependem de mim, para o bem e para o mal. É tão difícil explicar um fracasso. É tão difícil demonstrar um fracasso. Porque talvez seja do tipo de coisas que sublimamos, que inconscientemente apagamos das nossas memórias. Ninguém quer recuperar um fracasso para o que quer que seja. Mas todos querem recuperar do fracasso. E isso já é uma coisa diferente. Recuperar do fracasso é acelerar o processo de esquecimento.

Essa impotência… mas como é que se mostra a impotência… é mais fácil verbalizar, é muito mais fácil. Com palavras. É sempre mais fácil com as palavras. Mas também mais perigoso. As palavras lá ficam, para quem as quiser ler. Agora, depois, mais tarde… num minuto, durante duas horas, um dia inteiro. As palavras estão sempre lá. Mas a explicação, a demonstração daquilo que são… é sempre efémero. Foi agora, já passou, mesmo falando sobre ele, não consigo recuperar essa demonstração do que foi o meu fracasso, do que foi a minha dor, do que foi a minha cegueira. A surpresa do momento já não se mantém no que escrevem as palavras. As palavras...Vulnerabilidade vem do latim vulnus. Que quer dizer ferida.



Estou vulnerável. Susceptível à ferida.

Mix de Improvisações!!

Um miminho da Produção!
Mix das últimas improvisações.

Parte I - Aula 23 Março

Improvisação de grupo tendo como base:



Imagens II




Exercício do post "Certifica-te se as viagens são mesmo de ida e volta"

No seguimento do post "Certifica-te se as viagens são mesmo de ida e volta", aqui fica o vídeo do exercício referido. Os interpretes tinham de improvisar o que quisessem, desde que estivessem
sempre em movimento, excepto quando a sua voz manipulada soasse no ar.
Exercício sugerido por Tiago Cadete.
São só 6:38min, vejam!

CAMACHICES...


Totalmente sugados, absolutamente imbuídos neste que é o nosso último atelier do nosso percurso escolar, é natural que ultimamente não tenhamos pensado noutra coisa… queremos dar tudo, o melhor, sempre. Acordamos a pensar em Camacho, tomamos pequeno almoço a pensar em Camacho, vamos para a escola em camachianos, falamos camachionês… e fazemos camachionices sempre que há tempo livre (não vá, sabe-se lá!, surgir inspiração para se propor algo para a aula que se passa à tarde, entre as 14h30 e as 19h). Prova disso têm sido as nossas horas de almoço. Impossível ficar-se colado à cadeira da cantina, quando se tem aprendido tanta “mobilidade” nas últimas semanas! Chega o minuto da sobremesa e já não se aguenta, é tempo de uma camachoinada qualquer. “Olha a performance!” grita a Ana Mendes num tom de peixeira de ribeira: “Olha a performance fresquinha!” – ou não fosse a sobremesa um belo de um feast. Um modo de comer gelado "à Camacho". Um performance de lunch time que denuncia perfeitamente a origem da sua forma. Senão, comparem-se as fotos...
Quando passamos da porta da sala, não é possível acreditar que tudo o que se aprendeu fica encerrado naquele espaço. E sem darmos por ela, estamos completamente engajados num imaginário, num modo de ser do qual temos dificuldade em sair. E para dizer a verdade, julgo que nenhum de nós sente a necessidade desse divórcio entre o que em aula se passa e o que vivemos cá fora. Ajuda-nos... a libertar de um quotidiano que não queremos que seja igual ao de todos os dias.


Certifica-te se as viagens são mesmo de ida e volta


Os ácidos (LSD, trips Selos...) têm efeitos muito diversos dependendo: do que e quando é tomado, da pessoa que toma, do ambiente e do efeito que se espera.

PARA TE ASSEGURARES QUE VAIS E VOLTAS...

1- Evita tomar ácidos se estás cansado, angustiado, deprimido...
2- Evita misturar com outras substâncias (incluindo álcool e medicamentos)
3- Tem atenção ao que compras e a quem
4- Faz a toma com pessoal de confiança e escolham no grupo alguém que fique careta para poder conduzir ou chamar ajuda em caso de Bad trip
5- Evita tomar vários ácidos na mesma noite/festa e sobretudo nunca de uma só vez (fracciona a dose, ex: 1/4 ou 1/2 de cada vez). Se é a tua primeira vez toma 1/4 da dose.
6- Se os efeitos não aparecem, espera antes que possas ter uma overdose. O LSD pode levar cinco a seis horas a bater.
7- Evita repetir o consumo nas semanas seguintes, pois aumentará os riscos ligados ao abuso- depressão, angústia, insónia...
8- Fica a saber que provavelmente te sentirás muito cansado física e psicologicamente durante os dias que se seguirão.
9- Respeita quem não quer consumir.

ps: Este texto foi gravado pelos interpretes e depois manipulado por um programa de voz. A maior parte dos interpretes não reconheceu a sua voz depois de manipulada, nem o conteudo da gravação.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobre as possibilidades


Segunda parte da aula em imagens.

Ser ou não ser, eis a questão!



Yes, we can!!



Primeira parte da aula de 23 Março

Hoje a primeira parte da aula foi um bocadinho diferente,fomos assistir a uma Tertúlia. O nosso Grande Auditório transformou-se num estúdio de televisão e gravou-se uma Tertúlia mediada por Carlos Pinto Coelho,sobre públicos que o teatro procura atingir, o teatro clássico, o teatro de revista, a descentralização, o mecenato, os subsídios estatais e particulares, o novo teatro português, o nosso teatro no estrangeiro e em particular nos PALOP dos jovens e velhos actores, as escolas e professores, as audiências, encenadores, técnicos, etc. Este evento veio no seguimento das comemorações do dia Mundial do Teatro e aos mais interessados fica a informação de que o programa irá passar sexta-feira dia 27 de Março na RTP Memória. Os convidados foram:João Garcia Miguel, Margarida Marinho, José Manuel Mendes, Domingos Morais, Eugénia Vasques, Vítor Ramalho, Tó Zé Martinho, João Mota, António Lagarto e Isabel Medina. Aqui fica uma fotografia do momento:

Boa disposição!

Na aula de sexta-feira alguns interpretes sugeriram que se trabalhasse coreografias..aqui fica uma maravilhosa. Pode ser que vos inspire!!ahahah Have Fun

Um videozinho para variar!!

Aula de sexta-feira dia 20.
Um Trio, instantes fotográficos...
(o vídeo é curto e o som é o real, have fun.)
Raquel, Cadete e André.

domingo, 22 de março de 2009

Suicídio em massa de baleias na Nova Zelândia


11/10/2006 07:48

Cerca de 40 baleias morreram em uma praia da Nova Zelândia, após se aproximarem muito da costa, mas moradores locais conseguiram salvar outras 40, disse a imprensa australiana nesta sexta-feira.
Uma operação de resgate que envolveu a comunidade inteira da praia de Ruakaka, cerca de 140 km ao norte de Auckland, ajudou a desencalhar as baleias-piloto, segundo a Australian Broadcasting Corp.
Os responsáveis pela operação disseram que 40 baleias foram afastadas de volta para o oceano, depois que os voluntários da cidade vieram em seu auxílio.
"As pessoas começaram a surgir de todas as partes", disse o bombeiro Ben Trial à ABC.
A coordenadora do resgate, Sue Campbell, disse que planos para o enterro das cerca de 40 baleias mortas na praia estavam em andamento.
A Nova Zelândia tem uma das taxas mais altas de encalhamento de baleias do mundo, com recordes históricos que mostram que mais de 5.000 baleias e golfinhos encalharam nos últimos 160 anos.

in
http://port.pravda.ru/news/sociedade/incidentes/10-11-2006/13760-baleias-0

AS BALEIAS




Como é possível que tenhamos sido tão óbvios… Pronto falamos de cadáver esquisito e de repente falamos de baleias mortas.
Mas não só de uma baleia. Para variar tivemos de ir longe de mais e de repente eram 20 baleias mortas à beira mar. Evidentemente 20 baleias mortas é muita baleia e não é fácil desfazer-se de todas elas em menos de um mês. Além do mais, as baleias não chegam mortas, elas antes morrem dramática e terrivelmente numa longa e lenta agonia, e depois… As pessoas da vila não íamos deixa-las morrer assim sem mais. Estivemos quatro dias a tentar arrastá-las de novo para ver se o mar nos ajudava um pouco mas foi impossível. Depois de uma semana elas estavam todas mortas e não foi fácil leva-las daí. A cidade mais próxima está a pouco mais de seis horas e não podiam entrar com a grua na praia assim sem mais porque tinham medo de ficar atolados. Tivemos de cortar as baleias em pedaços e assim foi mais fácil transportá-las para outros sítios. As primeiras ainda foram aproveitadas para vender como comida, e a gordura também foi aproveitada para fazer lubrificantes acho eu. As últimas sete ou oito, já não conseguimos fazer nada, foram apodrecendo com o calor do verão e tivemos de cavar uma vala para deitá-las lá dentro. Nos últimos dias o cheiro tinha-se tornado tão insuportável que quase não podíamos sair de casa e tudo parecia mais difícil de fazer. O cheiro chegava até a entrada da vila e todos andavam absolutamente rabugentos e impacientes, até os animais vagueavam de maneira errática pelas praias. Não me lembro bem mas acho que nem insectos havia por esses dias na vila. A vida estava virada do avesso, parecia que tudo estava sujo e nós nem conseguíamos já comer peixe. Lembro-me que os últimos dias foram como um sonho, só bebíamos água de coco e sopa de mandioca.
Quanto àquela sugestão um tanto absurda de que as baleias foram utilizadas para fazer batom vermelho não poderia discordar mais, e quando foi sugerido que esse dito batom estava a venda na farmácia local fiquei absolutamente transtornado. Na verdade nós na vila não tínhamos farmácia ou coisa que se lhe pareça. O centro de saúde mais próximo estava a duas horas de distância, e além disso na nossa vila as mulheres não usavam batom ou nenhum tipo de maquilhagem.

UMA INTERPRETAÇÃO BRILHANTE


Esta é a fotografia da mais genial interpretação alguma vez conseguida daquilo que deve ser um pequeno poney. A magia Little Poney foi surpreendentemente reproduzida pelo nosso actor Dinis Machado.