
Acontece-me sempre que bebo leite quente… Estava a ler Na Solidão dos Campos de Algodão. Estava a tentar perceber porque é que solitários, ilícitos e animais se encontram às horas não homologadas da noite. Porque é que é na noite, perto do lusco-fusco, que se permitem existir. A relação das palavras estava a intrigar-me. Estava a ficar desconfortável. Não é ilícito não querermos ser sozinhos, mesmo se nos propomos a ser singulares quando saímos de um ponto em direcção a outro, em linha recta, sem qualquer obstáculo, a seguir directamente. Precisei de parar para pensar. Num dealer e num cliente. Levantei-me e fui à cozinha, aqueci um copo de leite. Eram umas 17h. Sentei-me e continuei a olhar para aquela relação. Estava demasiado cansada para solucionar o que estava a ler. Acontece-me sempre que bebo leite quente. Adormeci. Acontece-me que sempre que bebo leite quente. Adormeço, e inevitavelmente sonho. Sempre que bebo leite aquecido.
Estava algures, a horas ilícitas, num castelo, julgo que seria o de Óbidos. Não sei, o cenário tinha muralhas, havia um palco, tocava-se música. Era um dia qualquer festivo e nós estávamos a prepararmo-nos para um espectáculo. Não sei o que era, mas pelo ambiente e preparação, ia ser uma coreografia bem ensaiada. Lembro-me que a Raquel estava nervosa. E estavam todos vestidos de cor-de-laranja. Estavam numa sala muito pequena. Eu a determinado momento vi-me sozinha com o Francisco. Estava muito mais conversador do que o habitual. Estava a falar mais do que o normal e ria-se muito. Não me lembro do que falávamos, mas lembro-me de ouvir muito a voz do Francisco. Acontece-me sempre que bebo leite quente.
Estava algures, a horas ilícitas, num castelo, julgo que seria o de Óbidos. Não sei, o cenário tinha muralhas, havia um palco, tocava-se música. Era um dia qualquer festivo e nós estávamos a prepararmo-nos para um espectáculo. Não sei o que era, mas pelo ambiente e preparação, ia ser uma coreografia bem ensaiada. Lembro-me que a Raquel estava nervosa. E estavam todos vestidos de cor-de-laranja. Estavam numa sala muito pequena. Eu a determinado momento vi-me sozinha com o Francisco. Estava muito mais conversador do que o habitual. Estava a falar mais do que o normal e ria-se muito. Não me lembro do que falávamos, mas lembro-me de ouvir muito a voz do Francisco. Acontece-me sempre que bebo leite quente.
Entretanto comecei a ficar muito aflita: o Camacho pedia-me insistentemente que lhe desse o número da Ana Borges (não faço a mínima ideia quem seja, mas a aflição era tanta que acordei ainda a pensar na dita “Ana Borges”) porque queria muito falar com ela, tinha um trabalho para lhe propor. No resto do sonho, às horas estranhas, tentava convencer o Francisco de que teria o número dela e que lho daria, mas não naquele momento, àquelas horas, ele sem acreditar. Tinha de ter o número dela antes que o espectáculo terminasse, um dealer tem sempre o produto desejado. Um dealer nunca diz que não: “sim espera um pouco, espera muito, espera aqui comigo uma eternidade, sim eu tenho, eu hei-de ter, eu tinha e hei-de voltar a ter, nunca tive mas hei-de ter para ti”. Se não tem já teve, eu tinha de lhe dar o que me pedia, mas na minha “mercadoria de números de telefone”, aquele não constava.
Acontece-me sempre que bebo leite quente. Sonho inevitavelmente. Raramente me lembro do que sonhei. Mas este ficou e veio para aqui. O que me acontece. Sempre que bebo leite quente.
Eram 18h39. Quando acordei. Depois do leite aquecido.
2 comentários:
Statt tu não existes!!
ainda bem que é só com leite. Quente. Que isso te dá. lol
AP
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