
Como é possível que tenhamos sido tão óbvios… Pronto falamos de cadáver esquisito e de repente falamos de baleias mortas.
Mas não só de uma baleia. Para variar tivemos de ir longe de mais e de repente eram 20 baleias mortas à beira mar. Evidentemente 20 baleias mortas é muita baleia e não é fácil desfazer-se de todas elas em menos de um mês. Além do mais, as baleias não chegam mortas, elas antes morrem dramática e terrivelmente numa longa e lenta agonia, e depois… As pessoas da vila não íamos deixa-las morrer assim sem mais. Estivemos quatro dias a tentar arrastá-las de novo para ver se o mar nos ajudava um pouco mas foi impossível. Depois de uma semana elas estavam todas mortas e não foi fácil leva-las daí. A cidade mais próxima está a pouco mais de seis horas e não podiam entrar com a grua na praia assim sem mais porque tinham medo de ficar atolados. Tivemos de cortar as baleias em pedaços e assim foi mais fácil transportá-las para outros sítios. As primeiras ainda foram aproveitadas para vender como comida, e a gordura também foi aproveitada para fazer lubrificantes acho eu. As últimas sete ou oito, já não conseguimos fazer nada, foram apodrecendo com o calor do verão e tivemos de cavar uma vala para deitá-las lá dentro. Nos últimos dias o cheiro tinha-se tornado tão insuportável que quase não podíamos sair de casa e tudo parecia mais difícil de fazer. O cheiro chegava até a entrada da vila e todos andavam absolutamente rabugentos e impacientes, até os animais vagueavam de maneira errática pelas praias. Não me lembro bem mas acho que nem insectos havia por esses dias na vila. A vida estava virada do avesso, parecia que tudo estava sujo e nós nem conseguíamos já comer peixe. Lembro-me que os últimos dias foram como um sonho, só bebíamos água de coco e sopa de mandioca.
Quanto àquela sugestão um tanto absurda de que as baleias foram utilizadas para fazer batom vermelho não poderia discordar mais, e quando foi sugerido que esse dito batom estava a venda na farmácia local fiquei absolutamente transtornado. Na verdade nós na vila não tínhamos farmácia ou coisa que se lhe pareça. O centro de saúde mais próximo estava a duas horas de distância, e além disso na nossa vila as mulheres não usavam batom ou nenhum tipo de maquilhagem.
Mas não só de uma baleia. Para variar tivemos de ir longe de mais e de repente eram 20 baleias mortas à beira mar. Evidentemente 20 baleias mortas é muita baleia e não é fácil desfazer-se de todas elas em menos de um mês. Além do mais, as baleias não chegam mortas, elas antes morrem dramática e terrivelmente numa longa e lenta agonia, e depois… As pessoas da vila não íamos deixa-las morrer assim sem mais. Estivemos quatro dias a tentar arrastá-las de novo para ver se o mar nos ajudava um pouco mas foi impossível. Depois de uma semana elas estavam todas mortas e não foi fácil leva-las daí. A cidade mais próxima está a pouco mais de seis horas e não podiam entrar com a grua na praia assim sem mais porque tinham medo de ficar atolados. Tivemos de cortar as baleias em pedaços e assim foi mais fácil transportá-las para outros sítios. As primeiras ainda foram aproveitadas para vender como comida, e a gordura também foi aproveitada para fazer lubrificantes acho eu. As últimas sete ou oito, já não conseguimos fazer nada, foram apodrecendo com o calor do verão e tivemos de cavar uma vala para deitá-las lá dentro. Nos últimos dias o cheiro tinha-se tornado tão insuportável que quase não podíamos sair de casa e tudo parecia mais difícil de fazer. O cheiro chegava até a entrada da vila e todos andavam absolutamente rabugentos e impacientes, até os animais vagueavam de maneira errática pelas praias. Não me lembro bem mas acho que nem insectos havia por esses dias na vila. A vida estava virada do avesso, parecia que tudo estava sujo e nós nem conseguíamos já comer peixe. Lembro-me que os últimos dias foram como um sonho, só bebíamos água de coco e sopa de mandioca.
Quanto àquela sugestão um tanto absurda de que as baleias foram utilizadas para fazer batom vermelho não poderia discordar mais, e quando foi sugerido que esse dito batom estava a venda na farmácia local fiquei absolutamente transtornado. Na verdade nós na vila não tínhamos farmácia ou coisa que se lhe pareça. O centro de saúde mais próximo estava a duas horas de distância, e além disso na nossa vila as mulheres não usavam batom ou nenhum tipo de maquilhagem.
4 comentários:
Zabalaga fala-me deste teu post!!
Esclarece o nosso público porque aposto que quem não teve no ensaio, não percebe o contexto da tua dissertação!
Beijos Mil
zabalaga aqui esta a vila :-)
Para quem não esteve na ultima aula: na vontade de encontrar textos com os quais trabalhar tivemos uma tentativa falahada de fazer um cadaver esquisito do qual resultou esta pequena parodia sobre as baleias mortas que pela sua vez a nossa querida Satat quis actualizar com informação pertinente.
A bocado disse que era a Stat e na verdade foi o Tiago Cadete, fica aqui a correcção.
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