Nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma… ou talvez não
Há que tomar banho. Ligar o gás. E fugir.
A invisibilidade nem sempre é uma vantagem. A consciência do si nem sempre resulta em harmonia sinfónica.
Desarticulação do verbo em dó. Chave de sol: o menu da minha aldeia em dia de matança do porco.
E se eu não tiver aldeia. Se eu não for uma árvore. Ou se sendo uma árvore, estiver horizontal em relação com o chão. Se as minhas raízes estiverem horizontais na relação com as folhas. E se essa relação se medir em distancia, em quilómetros, em lugar de graus de afinidade. E se eu estiver tão longe de mim, que ultrapasso a linha do horizonte e não me consigo ver até ao fim. Se eu estiver tão ausente que não sinto na cabeça a explosão que me levou os pés. Impossibilidade de resolução de problema por desconhecimento de causa. Não sei porque não sei andar. Pensamento lógico. Não compreendo porque não me consigo deslocar. Perplexidade lógica. Porque tudo se mexe à minha volta? Não deveria também eu ser capaz? Não percebo o que não tenho. Não vejo. Cegueira histérica. Gravidade prenha impede a levitação. A ascensão. A subida. Para o alto. Para cima. Para o azul. Sair do cinzento para o azul. A fuga das galinhas em linha recta traçada perpendicularmente na relação estabelecida previamente em jantar de negócios à luz de velas com o solo retráctil em cor de burro quando foge. Ou talvez de laranja. Doce apesar de ligeiramente ácida. Como a chuva às vezes, quando tomo banho - na banheira: sozinha – na minha aldeia de paredes brancas e pequenos metros quadrados.
Fim da primeira parte por falta. Continua.
sexta-feira, 20 de março de 2009
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