domingo, 3 de maio de 2009

ARTAUD, O ESPAÇO E NÓS: UMA SOLUÇÃO


"No interior dessa construção reinarão proporções particulares em altura e profundidade. A sala será fechada por quatro paredes, sem qualquer espécie de ornamento. O público ficará sentado no meio da sala, na parte de baixo, em cadeiras móveis que lhe permitirão seguir o espectáculo que se desenvolverá à sua volta. Com efeito, a ausência de palco, no sentido comum da palavra, convidará a acção a desenvolver-se nos quatro cantos da sala. Actores movem-se entre os espectadores, por vezes no mesmo nível.



Lugares especiais serão reservados para os actores e para a acção, nos quatro pontos cardeais da sala. As cenas serão representadas diante de fundos de paredes pintadas a cal e destinadas a absorver a luz. Além disso, no alto, correrão galerias por toda a sala, como em certos quadros primitivos. Essas galerias permitirão aos actores, toda a vez que a acção exigir, caminhar de um ponto ao outro da sala, e também que a acção se desenrole em todos os níveis e em todos os sentidos da perspectiva em altura e profundidade.



Um grito emitido num canto poderá ser transmitido de boca em boca com amplificações e modulações sucessivas até ao outro canto da sala. A acção romperá o seu círculo, e estender-se-á numa trajectória de um nível para outro diferente, de um ponto a outro ponto. Isto terá uma influência directa e imediata sobre o espectador. Esta difusão da acção por um espaço imenso obrigará a iluminação de uma cena e as iluminações diversas de uma representação a abranger tanto o público quanto os actores.



Será reservado um lugar central que, sem servir propriamente de palco, deverá permitir que o todo da acção se reúna e se reorganize, sempre que necessário."

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