sábado, 23 de maio de 2009

PORQUÊ TEATRO, PORQUÊ ACTORES, PORQUÊ, AINDA ASSIM, DRAMATURGISTA.


Gosto de Teatro porque me interesso pelo actor. Gosto do encontro diário com os actores, desse contacto, desse sentimento mútuo de compreensão (e por vezes de incompreensão também) entre mim e eles, e a impressão que resulta do facto de, por vezes, sentir que me abro a outros seres, tentando compreendê-los. Em resumo, gosto da possibilidade de ultrapassar uma solidão. A tentativa de nos compreendermos a nós próprios através do comportamento de outro, encontrando-nos nele, é altamente sedutora.

Se em estreita colaboração chegarmos a um ponto em que o actor, liberto das suas resistências quotidianas, se revela profundamente a si mesmo por uma reacção, eu fico também, pessoalmente, enriquecida. Nessa reacção revela-se uma espécie de experiência humana, algo de muito especial, que me diz algo que ainda não sei o que é, Abre-se uma nova perspectiva nos limites do colectivo, na base comum das nossas convicções.


A realização do actor constitui uma espécie de transcendência do viver quotidiano, de um conflito íntimo entre o corpo e a alma, a inteligência e o sentimento, os prazeres fisiológicos e outras aspirações. Por momentos o actor fica livre do semi-comprometimento e do conflito que nos caracteriza a vida quotidiana. É isto que lhe invejo, esse mesmo descomprometimento que não consigo alcançar senão através dessa raça, que tanto aprecio.




Parecerá exagerado: louvo-lhes a existência e os seus virtuosismos.

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